Domingo, 22 de Fevereiro de 2009

FESTA COM PARTICIPAÇÃO DO BAIANA SYSTEM

Quarta-feira, 6 de Fevereiro de 2008

videobasy

video

Show de Ramiro Musotto no Teatro Vila Velha em janeiro de 2008
com participação de Roberto Barreto dentre outros músicos.

Terça-feira, 29 de Janeiro de 2008

Matéria do Jornal A Tarde . 27 jan 2008

Pequenas guitarras, grandes sons
CHICO CASTRO JR.
ccastrojr@grupoatarde.com.br

Muito tempo atrás, em uma galáxia muito, muito distante, um homem e
sua guitarra reinavam absolutos sobre a maior festa popular de um
planeta azul. Pode até parecer piada, mas não é. Os dias de glória do
Trio Elétrico Armandinho, Dodô & Osmar hoje parecem distantes,
precoces peças do museu para onde são enviados todos aqueles que não
se encaixam nos "novos tempos".

A verdade é que, depois de décadas sem destaque, a melhor música
carnavalesca que a Bahia já produziu continua viva e atualíssima.

Certamente, mais atual do que qualquer hit "de verão" dos últimos 15 anos.

Criada na década de 40 pela dupla Dodô e Osmar, a guitarra baiana, com
seu som sofisticado e afinação de violino, teve seu auge nos 70,
embalando muitos carnavais ao som do frevo trieletrizado que fluía das
mãos de Armandinho - e todos os demais guitarristas de trios
elétricos.

Com o advento da axé music, do samba-reggae e da controversa
"profissionalização" do Carnaval baiano, agora entrelaçado com a
indústria do turismo, destituíram a guitarra baiana do seu trono de
rainha da folia. Diversos músicos têm várias versões para o que
aconteceu.

"A nova música, essa guinada para a axé music que aconteceu a partir
de meados dos anos 80, afastou a guitarra baiana. Na época dela, 80%
da músicas de carnaval eram instrumentais, diferente do axé, que tem
sempre um cantor para animar o público", arrisca Fred Menendez, músico
instrumental 100% dedicado à guitarrinha e ao bandolim.

Fred toca quase todos os anos no festival de música de rua que
acontece em Ferrara (Itália). "Infelizmente, meu trabalho é mais bem
recebido lá do que aqui", observa. No próximo CD, ele pretende alargar
os horizontes da guitarrinha, levando-a para o blues, o rock e a dance
music.

"Um instrumento tão versátil não pode servir para tocar só frevo e
chorinho", pondera.

Caminho parecido é seguido por Roberto Barreto, guitarrista da banda
Lampirônicos, já em seu 3º disco, e que sempre utiliza a baiana em
shows e gravações.

Paralelo à banda, Barreto desenvolve o projeto Baiana System, no qual
explora novas possibilidades para o instrumento, inspirado nos sound
systems jamaicanos, em que os instrumentistas interagem com DJs e MCs.

"Nos tempos da guitarra baiana, era ela que fazia o papel do cantor.
Com a mudança da sonoridade para o axé, os cantores foram içados ao
posto de estrelas, concentrando as atenções. Como ela é um instrumento
muito mais de solo do que de acorde e harmonização, perdeu o espaço
para os cantores", explica.

MOROTÓ - A tendência é clara: renegada do Carnaval pelos empresários
que passaram a ditar seus rumos, a guitarra baiana encontra agora seu
caminho de volta ao público pelas mãos dos músicos dos meios
roqueiro/alternativo e instrumental.

Que o diga Morotó Slim, o carismático guitarrista da única banda de
rock que une essas duas características, de ser roqueira e
instrumental ao mesmo tempo: a Retrofoguetes.

Fã declarado e visivelmente influenciado por Armandinho, Morotó conta
que começou a tocar exatamente por causa do ídolo.

"Meus primeiros discos foram de Armandinho, Dodô e Osmar.

Eu tocava um cavaquinho afinado como guitarra baiana, tirando as
músicas. Até o dia que meu irmão mais velho apareceu em casa com uma
de verdade. Fiquei louco", lembra, rindo.

Só anos depois Morotó descobriu o rockabilly dos Stray Cats, grupo que
moldou o som dos lendários The Dead Billies, sua primeira banda. Com
isso, a baiana ficou um pouco de lado.

Acontece que seu cunhado e amigo de infância é afilhado de Armandinho,
o que favoreceu sua aproximação com a família Macedo, que sempre o
incentivou.

"Teve uma festa ano passado na casa de Aroldo (Macedo), e ele deixou
uma guitarra comigo.

Daí para o projeto do Retrofolia foi um pulo", conta, referindo-se ao
show que lotou a casa noturna Boomerangue no dia 18 de janeiro último,
e que contou com a participação do próprio Aroldo, do já citado
Roberto Barreto e ainda de Júlio Moreno, experiente músico argentino
que reside há décadas em Salvador e também é entusiasta da
guitarrinha.